segunda-feira, 20 de outubro de 2008

onde procurar?


As idéias estão no chão
Basta tropeçar no lugar certo.

Em vão.


Eu preciso vomitar tudo.
Tudo o que está misturado 
Nessa confusão mental insuportável.
Preciso cantar tudo.
Cantar o gauche.
O eu fora do mundo
O niilismo
A descrença
Cantar a insatisfação
Preciso vomitar
O amor não correspondido
A tristeza e ao mesmo tempo a raiva
A pressão e a falta de tempo
Preciso reerguer
A bandeira decaída do romantismo
Dizer que acredito em valores inúteis e utópicos
Preciso reerguer-me
Dessa poça de agressividade e depressão.
Eu queria conseguir por tudo pra fora!
Cantar , cantar e cantar!
Mas não dá. Não consigo, e tudo fica pra dentro.
Gritando pra sair.
Brigando, agonizando e
Implorando pra sair,
Em vão.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

HISTERIA


   olhar para a cidade e se perder na multidão de pontos que se concentram em todos os lugares, formando uma corrente infinita e circular que se mostram presentes em todos os lugares, fechando todos os lugares, abafando, sufocando, torturando e deixando não morrer todos os lugares que um dia foram vivos.
 Inertes se tornam todas aquelas pessoas que se iluminam na luz da religião, essa que mira os olhos e atacam sem compaixão. 
ouro dos tolos, tão valiosa quanto a moeda de chocolate, e força dos desavisados, como um enorme pilar de areia.
Pessoas vem e pessoas vão, cada vez trocando de cadeia por livre e espontânea vontade
Tolos aqueles que saem de seus acolhedores ventres para depois, só depois, se converterem em mercado.
Mercado de médicos, estudantes, criminosos, pedreiros, executivos. Mais tolos aqueles que resistem ao mercado
 "tolos" nos chamaram, então tolos devemos ser. Tola a criança que pede a mãe um kinder-ovo. Tolo o estudante que come o seu hambúrguer. tolo aqueles tolos com seus desejos bobos.
Gritos desesperados, dor (muita dor), lagrimas, toda a sinceridade foi despedaçada por uma fina capa invisível, mas que todos a percebem
Um dia resolveram abrir a porta, outro tolo. Que aventureiro. Que desbravador. que surpresa. do outro lado era a mesma coisa."

Por Arthur Lacerda

terça-feira, 14 de outubro de 2008


É preciso anestesia
pra aguentar toda essa merda
e dói quando eu mijo
e dói quando eu respiro
e a dor nao quer parar.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

1885


Ai senhora porque estás à janela?
Se não procuras um amor,
Dê fim à tentação.

Sei que um dia saberás
que o que sinto já pensei
em não ser só paixão.

Tua linda voz congela
E tuas cartas perfumadas
Me encheram de ilusão

E a carta que escrevo não lerás
E o meu pranto gritará
Gritaria então em vão.

Agora hei de comprar-lhe outra rosa
cobre desperdiçado
por um desfecho tão viés

O rapaz que segura tua mão
tens na outra meu caixão
reduzindo-me à seus pés.

Sei que a indiferença já conclama
o jeito que me vês
 sem nenhum sorriso teu

por fim o ouvidor
e até a corte 
hão de saber lá pela noite, 
quem por amor morreu.

por fim o ouvidor
e até a corte 
hão de saber lá pela noite, 
quem sem teu amor viveu.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Libertinagem

como sou infante!
imaturo
libertino
libertario
liberto
liberal
liberdade
distante
pela minha
infantilidade

Ainda hei de conseguir cantá-lo


À todas elas
Que não sois lindas
Mas belas.
Que não possuem um fio de cabelo
Fora do lugar. E não têm paixão
Se não a por dançar.
Deixem o palco inteiro reservado.
A elas pertencem não um mas todos os atos
De quem dança a vida
como quem nem se quer a vê
vivendo para dançar e
dançando para viver.
______________________________________________

Hoje aprendi o que todos me avisaram
Sobre o amor ser traiçoeiro sobre ser
Dissimulado. Maldita seja a emoção
Porque tem que estar o nobre errado?

Nobre Dom sois como eu, traído e derrotado
Que mal há em amar demais? Pra depois ser
Enganado. Pobre romântico que insisto
Em seguir lento e sempre cabisbaixo

[Pobre eu , pobre mim, pois sei que estou errado.]

Sei que estou errado, mas não consigo 
Me mudar. Romântico e Gauche que me falta
Para errar? Infeliz poeta que caíu em 
Perdição. caíu levantou caíu, caíu do coração

Agora não tem volta e a tortura não suporto
De vê-la todo dia e saber que não importo
Ai quem dera poeta fosse, capaz seria
De pintar. Teu rosto em versos meus e a dor

[em meu olhar]

Ai pudesse eu ser ele, seja ele lá quem 
For. Mas não sou como o rapaz a quem juraste 
Eterno amor. De que vale o dinheiro, 
Se como o Dom vou fracassar? De que vale o amor

[se proibido estou de usar]

Passou Camões a sua vida tentando decifrar
a paixão. Fácilmente concluíria se analisar
meu coraçao. cansado e sem vontade
fracasso novamente. de expressar tão grande amor

[que para sempre lhe pertence]


ainda hei de conseguir cantá-lo!

Daquele amor, nem me fale


Podemos falar de futebol
Divagar sobre a temperatura
Comentar os problemas do Irã
Ou dos tiros da arma tua

Posso até discutir religião
Ou falar num domingo de sol
Criticar a terrível inflação
ou dissertar a decoração do hall

Mas daquele amor, nem me fale.
Mas daquele amor, nem me fale.

Nem me fale que me irrito
Perco a linha
Dou um grito
Depois fico 
Depressivo
E todo cheio de saudades
De uma coisa tão bonita
restou apenas amizade
Então daquele amor...
Nem me fale.
Então por favor...
Nem me fale.

a república


falta-me um texto, mas ele há de ficar pronto.
"A república" será seu nome
o amor será seu tema.
Minha vida será sua história.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Paciência.


Ontem minha mãe disse que escrevia bem.
discordei.
perguntam-me: "ja leste algum de seus textos?"
respondo-lhes que não.
mas como então, posso afirmar que ela nao escreve bem?
calmamente respondo que escrever bem é negócio sério de grande responsabilidade
e como Drummond costumava dizer, não se trata apenas de retratar a vida, acontecimentos, sentimentos ou qualquer dor de cotovelo intertextualizada líricamente.
Escrever bem está em conseguir mergulhar de uma vez em si mesmo, e só aí entrar no tão falado "reino das palavras" Drummondiano.
Veja, os poemas, os textos, eles estão prontos nesse lugar, é preciso aceitá-los, é preciso deixar com que fluam livremente por seus dedos, e não apenas gozar de uma idéia boa.
Não apenas dominar a técnica, mas entregar-se a ela.
Escrever bem está intimamente ligado a maturidade, a dedicar uma vida ao exercício da literatura e ao estudo da gramática, quem sabe SÓ então, poderá dizer que chegará perto de ser um bom escritor.
A imaturidade ao contrário do que muitos pensam, não está ligada à idade. A imaturidade é um estado de espírito, é uma maneira de viver, que não se ausenta até que consigamos mergulhar profundamente no exercicio da prosa e verso.
É comum encontrarmos pessoas que subestimam jornalistas e escritores dizendo que não é preciso um diploma para se escrever bem. Que qualquer um pode fazê-lo.
HIPÓCRITAS. 
Não fazem idéia do equívoco que cometem. Sim talvez não seja preciso necessáriamente um diploma, mas o estudo contínuo , de nível mais elevado que o universitário é indispensável, é o mínimo, é fundamental!
é por isso que não tornamo-nos bons escritores da noite para o dia, é por isso que não topamos com bons escritores na padaria e é por isso que o achismo, a falácia e a corrupção imperam nas instituições midiáticas atuais!
Deve haver paixão, mais que paixão, muito mais, por isso também nao basta ao escritor só o estudo, é preciso que ambos, estudo e amor andem juntos, caminhem lado a lado em direção ao bom texto, à boa obra.
Não é qualquer um que pode fazê-lo, escrever, seja um aviso ou um romance machadiano é arte, Melo Neto, o arquiteto das palavras, expressou de forma grandiosissíma este conceito. 4 anos em um poema.
E digo-lhes, era pouco!
Mas. Melhor que este mero projeto de poeta que vos fala. Que redige versos inúteis em algumas poucas horas.
Não. não é qualquer um que pode escrever bem.
E agradeço à minha mãe por ter me revelado isto.
Desabafo por agora. E mantenho minha esperança altiva, de um dia quem sabe
alcançar o texto, e assim como Drummond e Melo neto, fazer do texto não um mero conjunto de orações, mas colocar em papel uma obra prima de rodin.